Mamita

CRÉDITO DA IMAGEM: Jacques-Henri Lartigue

por Marcio Dal Rio

Eu poderia ter seu filho que não existe, Mamita
Embalá-lo num berço de possibilidades futuras
Tê-lo no colo sob seu olhar de rascunho
O filho é mais que o fruto. É reinício de vida, revolução nas paredes emboloradas, planta que se coloca na frente do jardim desalmado de terras escuras,
Embalar o Vesúvio. A lava toma a casa enche tudo de pontos coloridos, entorna de lúdico, leva peças que não se encaixam, e trombetas de som surdo,
Brinca com a vida, Mamita, crê em teus planos de meninos que crescerão como homens a raspar a cabeça no teto. Essa lágrima que emperra, o canto que se cala, não há choro, não há berro, não há ninho, não há novelo, não há bichano.
São essas paredes tristes que me contam, cada porta-retratos sem rosto, cada possibilidade que bate na porta de vidro, como o vento que arrasta,
A felicidade que arrasta, gela, não há nuvem, esboço de menino, seus cambitos magros eseus cabelos revoltos, arrastados com o vento,
Mamita.

Marcio Dal Rio nasceu em Mococa-SP, em 1973, e vive em São Paulo desde os anos 90, Venceu o Premio Maraã de Poesia 2016, promovido pela Editora Reformatório com apoio da Academia Paulista de Letras, por meio do qual teve seu primeiro livro solo publicado, “Balada do Crisântemo Fincado no Peito” (Editora Reformatório 2017).
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