Tântalo e o mundo

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CRÉDITO DA IMAGEM: HAND, EMANUELE LONGO, CREATIVE COMMONS

por André Oviedo

é inútil esticar
o braço para tentar
alcançar o mundo.

inúteis também são
os laços que usam os peões
as linhas e anzóis dos pescadores
os tênis de corrida recém-comprados
as esteiras de aeroporto
as escadas rolantes
as grandes rodovias
o carro antigo do seu avô
o carro novo do seu irmão.

desde o Big Bang
tudo está em constante expansão
-dizem os astrofísicos-
principalmente o vazio.

tudo foge de nós
como se o susto
fosse a única forma
possível de comunicação.

ontem mesmo repousava
na minha a sua mão.

agora já não.

 
A ARTE E O NADA

sem as sobras
um bloco de mármore
pode ser Davi.

à falta
sobram muitas coisas
que se retiradas
revelam um bloco
de nada.

ter saudade
é viver repetidamente
esculpindo o vazio.

André Oviedo nasceu em São Paulo, em 1989. Publicou “Formol”, pelo Selo DoBurro, em 2014, e “Às voltas dos versos”, pela Editora Versta, em 2015. Anda em círculos para não se perder.

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